Camila Pires
Nunca acreditei em amor à primeira vista. Acredito que amor demora, cresce aos pouquinhos, a partir do momento em que conhecemos e aceitamos diferenças. Mas confesso que alí, no primeiro momento, já me apaixonei.
Já não controlei todas as coisas e nem a mim mesma. Já me senti a dona da razão e não permiti que medissem o quanto de erro havia em minha história. Me convenci com pouco, mas não aceitei o pouco por muito tempo. Eu quis mais, eu quis tudo...
...Ninguém pode ter tudo...
Não chamaria de ganância, mas havia em mim uma certeza e uma vontade de ser feliz sem medidas.
Eu me desarmei, me livrei de dores passadas. Como se eu tivesse, finalmente, encontrado um mapa de um caminho seguro e certo.

Mas o tempo passa. E costumam dizer que todo amor tem seu tempo. Se veio e não aconteceu é porque não tinha de ser.
Poderia dizer que vivo a perguntar se ainda sou, ou se ainda somos capazes de nos permitir essa esperada felicidade.Mas não estaria sendo de todo sincera. A verdade é que já não pergunto. Por medo da resposta, talvez.
A verdade é que sei perfeitamente onde estão escondidos meus sorrisos. A verdade é que, inconscientemente, ainda ouço o toque do telefone. A verdade é que é apenas um rosto que, durante muito tempo, virá a minha mente, todas as vezes que eu fechar os olhos... Um tão doce amor...
Camila Pires
Gostaria de poder dizer que acho engraçado o modo como as coisas acontecem na vida da gente. Mas, pra ser sincera, esse assunto não tem graça.
Certa vez me apaixonei por alguem e talvez devesse rir do modo como ele entrou na minha vida, mas não rio e não vem ao caso. É o típico acontecimento que, depois de um tempo, você se pergunta "por que?", "qual a razão?". Pergunta tola e sem resposta.
Talvez nem razão tenha. Talvez fosse algo invevitável. Talvez fosse destino, talvez presente, talvez castigo.
Lembro-me que as noites eram longas e findavam no tocar do telefone, na voz suave, nos "bom dia" quase sussurrados. Lembro-me que as palavras eram doces e intrigantemente naturais. Os dias passavam tão depressa, como se corressem apenas para ouvir o telefone tocar na manhã seguinte. E junto com essa pressa perdi a conta de quantos sorrisos soltei e quantas vezes repeti seu nome.
Engraçado é a força contagiante que nossa felicidade tem. Engraçado é a simplicidade das coisas, é a forma como tudo se torna fácil ou como tudo fica ao nosso alcance, sabe?
É como se a cada dia nos tornássemos mais fortes. Como se essa força viesse de dentro e, mesmo sem saber como, nos fizesse sentir que tudo seria assim, pra sempre.
Camila Pires
Algumas vezes na vida o caminho some bem na frente de nossos pés.
Algumas vezes fazemos escolhas que, ao menos por um momento, nos fazem pensar como poderia ser diferente.

Eu busquei acreditar nessa diferença. Busquei arriscar meu rosto a tapas que eu sabia que poderia levar, mesmo esperando que não viessem.
Eu busquei balancear todas as coisas. Busquei aceitar o óbvio, sem pensar que era tão óbvio assim.

Eu abstraí certas coisas. Abstraí aquilo que não estava estampado com clareza, mas que também não me dava segurança.
Eu abstraí minhas armas e por vezes, também, abstraí o orgulho que me fazia forte.
Abstraí mágoas e me deixei levar por uma sensação de felicidade incontrolável.

Eu me permiti não quantificar ou qualificar situações. Me permiti fechar os olhos pra idealizar acordada.
Me permiti mergulhar em águas completamente desconhecidas no intuito de acompanhar alguém.
Me permiti ser acompanhada, ser observada e, por vezes, repreendida.

E foi na repreensão que o caminho fez seu rumo. Foram nas oposições que decisões foram tomadas.
Se a trilha é confiável ou não, quem diz é o tempo.
Se a dor valeu a pena em doer, quem diz são as lembranças.
Mas se doer - e que doa -, não demore. Pois dores excessivas escondem meus sorrisos.
Quero sorrir as lembranças. Quero lembrar coisas boas.
Quero guardar histórias para um dia contar a alguem que alguem me fez muito bem.

Às vezes o fim de um caminho não significa o fim de uma caminhada, nem uma perda.
Mudanças são necessárias em todos os rumos de todas as vidas.
Às vezes somos forçados a mudar, às vezes mudamos de dentro pra fora.

Mas na verdade não importa a rotação das vitórias...
Como diria Lispector: Perder-se também é caminho.
Camila Pires
Cansei de fingir...
Cansei de mentir pra mim mesma e cansei de mentir para o resto do mundo.
Eu não vou chegar a lugar nenhum com um sorriso forçado no rosto.
Aquela velha dor, ainda dói. A saudade ainda machuca.
Eu ainda peço a Deus que traga tudo de volta.

De alguma forma eu preciso sentir outra vez aquela felicidade incontrolável.
Eu preciso, de qualquer forma irracional, sentir outra vez que tudo vai dar certo.
Eu preciso me sentir segura num abraço.

Tudo desabou tão de repente, que eu fiquei sem saber onde esconder toda a felicidade que eu tinha.
E depois de todo esse tempo, eu percebi que a escondi em algum lugar,
de um jeito tão bem escondido, que não tenho conseguido encontrar.

Às vezes, tenho a sensação de que não vai chegar o dia em que tudo fará sentido.
E, mesmo tentando, ficarei eternamente com esse não-saber estampado em meu rosto.

Bancar a forte talvez me leve a parecer melhor. Exteriormente, eu digo.
Bancar a forte, interiormente, só me destrói mais a cada dia.

Faz um tempo que meus sorrisos já não são os mesmos...
Por que faz um tempo que eu desaprendi a sorrir os sorrisos de antes.
Peço perdão pelo choro, se isso incomodar.
Mas é a única forma {não-destrutiva} que {não por completo} me alivia.
Camila Pires
Hoje o choro bateu forte. Entalou na garganta... mas saiu.
Saiu porque, apesar dos sorrisos, a dor ainda dói.
Mas pior que a dor, são as lembranças. As boas, no caso.
As ruins a gente esquece. A gente faz questão de esquecer.
Nas más lembranças a gente passa uma borracha, a gente finge que não vê.
Talvez assim nos convençamos de que essa dor vale a pena.
De que dói por uma boa razão. De que dói, porque algo nos fez feliz demais.

É essa felicidade que traz saudade. E é a saudade que machuca.
É a saudade que traz a dor do "não tenho mais".
Não tenho mais beijos, ou abraços, ou carinhos, ou risadas, ou sonhos...

E junto com a saudade, vem a dor da impotência. A dor de não poder reagir.
E essa não-reação traz consigo a sensação de que tudo escapou pelos dedos,
sumiu em um piscar de olhos e foi embora pra nunca mais.

Acredito que com o tempo nos acostumamos com a dor, por mais forte que ela seja.
E ao nos acostumarmos, temos a sensação de que ela vai doendo menos a cada dia.
E ao sentí-la doer menos, esperamos que, mesmo que seja ilusão,
um dia ela aparente ir embora pra sempre!
E pedimos, pelo amor de seja-lá-o-que-for, que isso não demore...

Mas hoje... Pelo menos por hoje... ela ainda dói.
Camila Pires
Enquanto ainda posso dizer: sim, por favor chegue mais perto.
Talvez o mal seja que a gente pede amor o tempo todo.
E quando a gente precisa de alguém, não importa que seja proibido.
A gente simplesmente quer... Permissão a gente inventa!
Dá vontade de amar. De amar de um jeito "certo",
que a gente não tem a menor idéia de como poderia ser, se é que existe um.
Amor é palavra que inventamos para dar nome ao sol abstrato em torno
do qual giram nossos pequeninos egos ofuscados, entontecidos e ritmados.
Mas eu não quero ter vergonha de nada que eu seja capaz de sentir.

Não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.
Venha à mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar.
Às vezes, quando ainda vale a pena, eu fico horas pensando
que podia voltar tudo a ser como antes.
Mas aí logo se começa a curtir as pedras do fundo do poço.
E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro?
Eu quis dizer como seria bom se a gente tivesse se encontrado,
assim, sem pedir, sem esperar.
Pois o destino se faz para todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo,
e de alguma forma insana esperam a volta dele.
Afinal, tudo que é verdadeiro, volta.

Eu já quis morrer de novo. Aprendi a engolir outra rejeição
mas estou viva e, sinto muito, pretendo continuar.
Quando eu encontrar o amor da minha vida... eu paro de escrever.
Camila Pires
Não se trata de uma crônica, nem, muito menos, um poema.
Hoje, eu preciso, apenas, desabafar.
Desabafar as dores que não me deixaram dormir, as lágrimas que teimaram em cair {e ainda teimam}.
Preciso perguntar ao mundo (ou a uma só pessoa) "porque?".
E o sorriso que eu tinha estampado em meu rosto?
E a felicidade que eu carregava no peito?
O que eu faço com eles? Onde eu os escondo?
Onde encontro uma borracha capaz de apagar alegrias? Pessoas?

Por mais que eu pense, eu não entendo. A cabeça não funciona.
Estou triste, estou com raiva... muita raiva.
Por que mais uma vez, eu estive de mãos dadas com ninguém.
O tempo todo fui eu, comigo mesma.
Os sentimentos não vieram dos outros... refletiram de mim.

As vezes o presente não apaga o passado, as vezes o passado nem passa.
Me fizeram cobranças, me deram esperanças que acabaram por morrer em poucos dias.
E depois de tantas experiencias, tantas expectativas eu ousei acreditar que,
dessa vez seria por mim, dessa vez seria pra sempre.
Tenho, então, a certeza de que poetas são sábios... de fato o 'pra sempre', sempre acaba!
Nada além de um vício.
Letras e palavras que se desembaralham,
trazendo versos que, às vezes sem sentido, traduzem exatamente o que se passa aqui dentro.

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